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Passeio de bicicleta na vinícola Cousiño Macul Foto: Nataly Motta @natalymotta
Vida adulta

A vida adulta também precisa de experiências novas

Entre trabalho, compromissos e rotinas cada vez mais organizadas, viver algo novo pode acabar sempre ficando para depois. Mas novas experiências não precisam ser extraordinárias para mudar a qualidade de uma semana.

Thati Lira 12 de out de 2026 5 min de leitura

Experiências na vida adulta podem acabar ficando sempre para depois. 

Trabalho, filhos, compromissos, academia, mercado, casa, mensagens, consultas, contas. Quando tudo isso está minimamente organizado, ainda existe aquela lista invisível de coisas que “uma hora” queremos fazer: conhecer um restaurante novo, experimentar uma aula diferente, visitar um lugar, aprender alguma coisa, aceitar um convite.

E esse “uma hora” pode durar meses.

Viver novas experiências na vida adulta acaba exigindo uma intenção que talvez não fosse necessária alguns anos atrás. Não porque perdemos curiosidade, mas porque a rotina passou a competir por quase todo o nosso tempo.

Às vezes, uma experiência começa justamente por olhar para um lugar conhecido de outra maneira, algo que também aparece quando falamos sobre para qual tipo de turista o Chile faz sentido.

Por que as experiências na vida adulta precisam ser mais intencionais

Em determinadas fases da vida, novidade é quase inevitável.

Você muda de escola, de trabalho, de cidade, conhece grupos novos, frequenta lugares diferentes, aceita programas sem saber exatamente onde aquilo vai dar.

Depois, muita coisa encontra seu lugar.

Essa mudança de contexto também ajuda a entender por que conhecer pessoas novas depois de adulta ficou mais difícil.

Temos nossos amigos, nossos restaurantes, nossos horários, nossos caminhos, nossos programas preferidos. E há algo muito bom nisso. A familiaridade também é conforto.

O problema é quando tudo fica tão previsível que o novo só acontece se alguém decidir criá-lo.

E nem precisa ser uma grande viagem ou uma experiência extraordinária.

Pode ser jantar em um lugar que você nunca escolheria sozinha, provar um vinho diferente, aprender a dançar, conhecer uma parte da cidade que nunca visitou, participar de uma atividade nova ou simplesmente dividir uma mesa com pessoas que ainda não faziam parte do seu mundo.

Viver experiências não significa fazer mais coisas

Festa Junina em Santiago do Chile, com amigas
Festa Junina no Chile, com amigas

Essa diferença é importante. Já temos coisas demais para fazer.

A proposta não é acrescentar mais compromissos a uma agenda cansada, nem transformar lazer em outra obrigação.

Uma boa experiência deveria fazer quase o contrário: tirar por algumas horas a necessidade de resolver tudo.

Você chega e alguém já pensou no lugar, no horário, na dinâmica, no que vale conhecer e nos pequenos detalhes que fazem aquele programa funcionar.

Talvez esteja justamente aí uma das razões pelas quais a curadoria passou a ter tanto valor.

O excesso de opções não facilitou necessariamente nossas escolhas. Às vezes tornou tudo mais trabalhoso.

Escolher restaurante, pesquisar avaliações, montar grupo, verificar disponibilidade, combinar horários e tentar convencer todo mundo pode consumir mais energia do que o próprio programa.

Quando existe uma boa curadoria, parte desse trabalho desaparece e sobra aquilo que realmente interessa: viver a experiência.

Algumas coisas também ficam melhores acompanhadas

Esquiar em Valle Nevado com amigas. Boas experiências da vida adulta
Valle Nevado com as amigas Verônica e Aline Oliveira

Fazer coisas sozinha pode ser maravilhoso e, em muitos momentos, libertador.

Mas isso não significa que tudo precise ser vivido assim.

Existem experiências que ganham outra camada quando são compartilhadas: uma mesa, uma degustação, uma aula, uma conversa, uma descoberta inesperada.

E existe ainda outro ponto da vida adulta que merece atenção: nossos círculos tendem a ficar mais definidos.

Continuamos conhecendo pessoas, claro. Mas muitas vezes elas chegam pelos mesmos lugares: trabalho, filhos, amigos de amigos, academia.

Criar situações em que pessoas diferentes possam se encontrar em torno de uma experiência em comum abre outra possibilidade de conexão.

Não precisa existir a pressão de “fazer novas amizades”.

Às vezes, basta estar em um ambiente agradável, com gente interessante, fazendo alguma coisa que você realmente queria viver.

O resto acontece ou não acontece. E está tudo bem.

Talvez o que esteja faltando não seja tempo

Amor y Pasta num domingo a tarde
Experiência Amor & Pasta

Claro que tempo importa, mas nem sempre é só isso.

Às vezes temos uma noite livre e acabamos no mesmo lugar. Um sábado disponível e não sabemos exatamente o que fazer. Vemos alguma experiência interessante e pensamos que seria ótimo ir, mas não temos companhia ou simplesmente deixamos para outra ocasião.

Por isso tenho pensado cada vez mais que uma vida com experiências não depende apenas de ter tempo livre. Depende também de criar oportunidades para que elas aconteçam.

Não precisam ser grandiosas. Aliás, provavelmente as melhores nem serão.

Uma boa conversa. Uma mesa bonita. Uma música que você não esperava ouvir. Um lugar novo. Uma atividade que parecia não ter nada a ver com você e acabou sendo divertida.

São pequenas interrupções na previsibilidade.

E talvez a vida adulta precise um pouco mais delas.

Começar pode ser mais simples do que parece

Não é necessário mudar a rotina inteira.

Pode começar escolhendo uma coisa que você sempre teve curiosidade de fazer e nunca fez.

Ou aceitando um programa diferente.

Ou entrando em um ambiente em que você normalmente não entraria.

Ou permitindo que outra pessoa faça a curadoria e simplesmente aparecendo para viver aquilo.

Porque existe uma pergunta que tenho achado mais interessante do que “o que você fez esta semana?”:

quando foi a última vez que você fez alguma coisa pela primeira vez?

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