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Terremoto no Chile: o que fazer durante um sismo
Segurança e prevenção

Terremoto no Chile: o que fazer?

O Chile é um país sísmico. Para quem vive aqui há bastante tempo, sentir a terra se mexer faz parte de uma realidade que aprendemos a conhecer, respeitar e, principalmente, enfrentar com prevenção.

Thati Lira 23 de out de 2026 7 min de leitura

Para quem está viajando, porém, um terremoto no Chile pode ser uma experiência completamente nova e assustadora, sobretudo quando ninguém explicou antes o que fazer.

E é justamente por isso que este texto existe.

Não para colocar medo em quem está planejando uma viagem ao Chile, mas para fazer o contrário: informação diminui o improviso e ajuda você a agir melhor se algum dia precisar.

A própria SENAPRED, o Serviço Nacional de Prevenção e Resposta diante de Desastres do Chile, mantém protocolos específicos para sismos, tsunamis e outras emergências, além de realizar simulados regularmente em diferentes regiões do país.

Para outras informações que vale conhecer antes de chegar, veja também Primeira viagem ao Chile: o que eu gostaria que todo brasileiro soubesse antes de chegar.

Terremoto no Chile: a primeira regra é entender onde você está

Sentiu a terra tremer?

Antes de qualquer coisa, tente manter a calma e observe o ambiente.

A recomendação oficial não é simplesmente “saia correndo”. O que você deve fazer depende do tipo de construção e do lugar onde está.

Em uma construção sismorresistente, a SENAPRED orienta procurar um local de proteção sísmica, afastado de janelas e de objetos que possam cair, protegendo-se junto ou embaixo de uma estrutura firme.

Já em edificações que não sejam sismorresistentes, como construções precárias ou de adobe, a orientação muda porque o local seguro estará fora da estrutura.

É por isso que correr automaticamente para a rua pode não ser a melhor reação.

Primeiro, entenda onde você está.

Se você estiver em um hotel ou prédio

Durante o movimento, se afaste de janelas, vidros, luminárias e objetos que possam cair. 

Proteja cabeça e pescoço e procure um local de proteção adequado dentro da construção.

Se houver necessidade de evacuação depois, use as escadas de emergência e nunca o elevador. Essa é uma recomendação expressa da SENAPRED.

E aqui entra uma dica simples que eu considero muito importante para quem viaja:

quando chegar ao hotel, antes de pensar onde vai jantar, observe onde estão as escadas e as saídas de emergência.

Leva menos de um minuto. Não é paranoia. Você precisa de informação.

Você provavelmente nunca vai precisar usar esse conhecimento, mas, se precisar, não será o momento ideal para descobrir pela primeira vez onde fica a saída.

Para escolher uma região que faça sentido para o seu roteiro, veja Onde ficar em Santiago: qual região combina com a sua viagem?

Se estiver na rua

A lógica é diferente.

Não corra para dentro de um edifício tentando procurar proteção. A orientação é se afastar de fachadas, postes, cabos elétricos e estruturas ou objetos que possam cair, procurando um espaço aberto e seguro enquanto o movimento termina.

Em áreas urbanas, é muito comum que a primeira reação seja olhar para o prédio mais próximo. Mas, se você já está fora, o risco pode estar justamente nas fachadas, vidros e elementos que possam desprender.

Então, mais uma vez, a informação depende do contexto.

Está no litoral? A regra muda

Rota de evacuação por tsunami no Chile
Placa de evacuação de tsunami, em Isla Negra

Esse é um ponto que todo turista deveria conhecer antes de viajar para destinos costeiros do Chile.

Se você estiver em uma área de evacuação por tsunami e sentir um sismo forte a ponto de dificultar permanecer em pé, a orientação oficial é evacuar imediatamente em direção a terrenos elevados, pontos de encontro ou áreas de segurança.

Não é necessário esperar uma confirmação de tsunami para começar a evacuação nessa situação.

A SENAPRED também orienta evacuar se o mar apresentar uma retirada incomum, expondo áreas que normalmente ficam cobertas pela água.

Por isso, se a sua viagem inclui Viña del Mar, Valparaíso ou qualquer outra região costeira, eu recomendo uma coisa simples: ao chegar, descubra se você está em uma zona de evacuação e localize as rotas indicadas.

Existem mapas oficiais de evacuação e o Visor Chile Preparado justamente para isso.

Para outras informações que vale conhecer antes de chegar, veja também Primeira viagem ao Chile: o que eu gostaria que todo brasileiro soubesse antes de chegar

E quando o terremoto termina?

Parou de tremer não significa necessariamente que tudo acabou.

Podem acontecer réplicas, e é importante continuar atento às orientações das autoridades.

Se houver indicação de evacuação, siga as instruções. Se estiver num prédio, não use elevadores. E, caso exista suspeita de vazamento de gás, evite produzir chamas ou faíscas.

Para acompanhar a situação, dê preferência às informações oficiais da SENAPRED e demais autoridades responsáveis.

Aqui vale uma regra que aprendi vivendo no Chile: não transforme o WhatsApp em central sismológica.

Depois de um sismo, começam a circular rapidamente áudios, previsões, números e mensagens sem fonte. Informação oficial é muito mais útil do que uma corrente enviada por alguém que “tem um conhecido que trabalha não sei onde”.

O que vale ter por perto durante a viagem

Quem está passando alguns dias no Chile não precisa transformar a mala numa operação de sobrevivência.

Mas eu gosto de ter algumas coisas básicas facilmente acessíveis: documento, água, celular carregado, power bank, medicamentos de uso pessoal, algum dinheiro em espécie e uma pequena lanterna.

Para quem mora no Chile, a preparação é naturalmente mais completa. A SENAPRED recomenda que residências tenham provisões básicas para 48 a 72 horas, incluindo água, alimentos não perecíveis, iluminação, dinheiro, primeiros socorros e cópias de documentos importantes.

A quantidade e o tipo de itens devem considerar as necessidades reais de cada família, inclusive crianças, idosos, gestantes, pessoas com necessidades específicas e animais.

Para o turista, o raciocínio pode ser mais simples: mantenha consigo aquilo que ajudaria nas primeiras horas caso transporte, energia ou comunicação sofressem alguma interrupção.

Por que o Chile leva prevenção tão a sério?

Grande parte dos terremotos destrutivos do Chile está relacionada à interação entre a placa de Nazca e a placa Sul-Americana. Faz parte da geografia do país e, consequentemente, da maneira como o Chile desenvolveu sua a cultura de prevenção e resposta.

Isso aparece em protocolos, rotas de evacuação, simulados, sinalização e orientações públicas.

Em outubro de 2026, por exemplo, mais de 16 mil pessoas participaram de um exercício de evacuação por terremoto e tsunami na região de Atacama. O objetivo foi justamente medir tempo de deslocamento, funcionamento das rotas, pontos de encontro e capacidade de resposta das instituições.

A existência desses protocolos não significa que riscos deixem de existir.

Significa que conviver com risco também passa por aprender a responder a ele.

O melhor momento para descobrir o que fazer é antes

Talvez essa seja a principal mensagem deste texto.

Ninguém precisa passar as férias esperando um terremoto.

Você não chega a Santiago pensando nisso todos os dias, e a vida por aqui obviamente não funciona dessa maneira.

Mas conhecer três ou quatro regras básicas pode fazer uma diferença enorme caso você viva uma situação que nunca experimentou antes.

Chegou ao hotel? Veja onde fica a saída.

Está no litoral? Identifique a rota de evacuação.

Sentiu um sismo? Observe onde está antes de simplesmente correr.

Terminou? Continue atento às informações oficiais.

E não tente disputar velocidade com o grupo da família no WhatsApp.

O Chile é um país sísmico. Isso faz parte da realidade daqui.

Informação não é para assustar você. É para você saber como agir.

Leia também: O que reservar antes de viajar ao Chile e em que ordem organizar a viagem

Leia também: Por que o Chile parece tão diferente do Brasil mesmo estando tão perto?

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