Vale de Colchagua: o Chile que vai muito além do vinho
Participei do Fam Tour Brasil 2026, realizado pela Cámara de Turismo de Colchagua, e durante três dias conheci produtores, empresários e experiências que revelam uma região ainda pouco explorada pelos roteiros brasileiros.
Quem visita o Chile provavelmente já ouviu falar das suas vinícolas. Algumas estão entre as principais atrações turísticas do país, especialmente para brasileiros que desembarcam em Santiago. Mas o Vale de Colchagua, na região de O'Higgins, oferece uma perspectiva diferente: aqui, o vinho é protagonista de uma história que também envolve pessoas, tradições rurais, gastronomia, hospitalidade e uma forma muito particular de viver o território.
Entre 26 e 28 de outubro, participei, com minha marca pessoal e também representando a Viajar Chile, do Fam Tour Brasil Valle de Colchagua 2026, uma iniciativa da Cámara de Turismo de Colchagua que reuniu operadores turísticos, comunicadores e representantes da imprensa ligados ao mercado brasileiro.
A proposta era conhecer de perto a diversidade turística do vale e aproximar os profissionais que recebem brasileiros no Chile dos empresários que desenvolvem experiências na região.
Foram três dias de programação intensa, com cerca de 30 lugares entre paradas programadas e outros estabelecimentos apresentados ao longo do circuito. Conhecemos vinícolas tradicionais, pequenos produtores, hotéis boutique, restaurantes, propostas de turismo rural e espaços de entretenimento.
Voltei com a impressão de que Colchagua não precisa reinventar sua identidade para conquistar novos visitantes. Precisa, sobretudo, mostrar ao mundo quantas histórias existem por trás daquilo que já faz tão bem.
Por que o Vale de Colchagua está olhando para o Brasil?

Uma das conversas interessantes da viagem aconteceu durante o encerramento. Mauricio Retamal, presidente da Cámara de Turismo de Colchagua, contou que, durante uma feira de turismo em São Paulo, encontrou profissionais que sequer sabiam localizar Colchagua no mapa.
A observação revela uma oportunidade importante: o Chile é um destino conhecido pelos brasileiros, mas isso não significa que toda a sua diversidade turística seja igualmente reconhecida.
Foi com essa percepção que a Câmara organizou o Fam Tour, apostando no contato direto entre produtores locais, operadores e profissionais de comunicação.
A iniciativa contou com a participação de Mauricio Retamal, presidente da entidade, Rodrigo Valenzuela, integrante de sua diretoria, e Sérgio Zavala, gerente do projeto, que acompanharam a aproximação entre os visitantes e os empreendedores da região.
A mensagem compartilhada pelos representantes da Câmara foi clara: as grandes vinícolas já conquistaram reconhecimento, mas existem muitos projetos menores que merecem chegar ao conhecimento de novos públicos.
E talvez esteja justamente aí uma das oportunidades mais interessantes de Colchagua.
Trinta anos de uma rota que ajudou a transformar o turismo do vinho no Chile

Em 2026, a Ruta del Vino de Colchagua completa 30 anos. Criada em 1996, foi a primeira rota organizada de enoturismo do Chile, contribuindo para transformar a visita às vinícolas em uma experiência turística que ultrapassa a degustação.
O vale se consolidou como um dos principais territórios vitivinícolas chilenos, com vinhos reconhecidos internacionalmente e propriedades que recebem visitantes interessados em conhecer desde os processos produtivos até a história das famílias por trás das marcas.
Mas o Fam Tour também mostrou uma faceta menos conhecida da região: vinícolas de pequena escala, projetos familiares, produtores de diferentes nacionalidades e experiências que valorizam a proximidade entre anfitrião e visitante.
Essa diversidade muda bastante a maneira de olhar para o destino.
Das vinícolas familiares aos grandes nomes de Colchagua

Nossa primeira experiência foi na Viña Ravanal, onde fomos recebidos por Carmen Paz Ravanal, representante da família responsável pelo empreendimento e uma das pessoas que trabalham para desenvolver o enoturismo na região.
O café da manhã foi uma maneira especialmente agradável de começar a viagem. Além dos vinhos, a visita abriu espaço para conhecer a história familiar, o trabalho da propriedade e a relação entre produção e hospitalidade.
Ao longo dos três dias, também conhecemos casas como MontGras, Estampa, Maquis e Viu Manent, cada uma com identidade, trajetória e propostas próprias para receber visitantes.
Na Maquis, a história da propriedade e a atenção dedicada à produção permitiram explorar uma dimensão do vinho que vai além da degustação. Já nas grandes vinícolas, a estrutura turística demonstra o quanto Colchagua desenvolveu sua capacidade de receber diferentes perfis de público.
Mas uma das descobertas mais interessantes estava reservada aos pequenos produtores.
Ruta Santa Ana: um Colchagua que merece ser descoberto
A região da Ruta Santa Ana foi um dos capítulos mais reveladores da viagem.
Passamos por projetos como La Sirca, Los Chanchitos, Alchemy Wines, Caminomar, Punku Wines, Clos Santa Ana e Rhenus Winery, conhecendo propostas de produção e hospitalidade que nem sempre aparecem nos roteiros mais convencionais.
Em vários momentos, o contato direto com as pessoas responsáveis pelos empreendimentos trouxe uma dimensão mais pessoal às visitas. São histórias de famílias, escolhas de vida, diferentes origens culturais e maneiras particulares de interpretar o vinho.
É interessante observar como um mesmo território consegue abrigar projetos tão distintos. Algumas experiências valorizam a tradição, outras exploram técnicas contemporâneas ou produções de menor escala, mas todas ajudam a ampliar a compreensão sobre o potencial do vale.
Há, naturalmente, uma diferença entre as experiências preparadas para um grupo profissional e aquelas que estão disponíveis regularmente ao público. Muitas dessas visitas dependem de agendamento prévio, e esse cuidado faz parte da proposta dos pequenos produtores.
A Ruta Santa Ana merece uma matéria própria, porque reúne histórias que não caberiam adequadamente em apenas alguns parágrafos.
Muito além das taças: gastronomia, campo e hospitalidade
O Fam Tour também nos levou a conhecer outros aspectos do cotidiano turístico de Colchagua.
Tivemos uma experiência de cavalgada rural, visitamos a Granja María Campesina e conhecemos diferentes propostas gastronômicas, entre elas o Ristorante Vino Bello, em Santa Cruz, e o Prapes Sushi Bar.
A programação também incluiu uma visita ao Casino Colchagua, apresentando alternativas de entretenimento para quem permanece na região depois de um dia entre vinhedos.
Na hotelaria, encontramos uma oferta interessante de estabelecimentos com perfis variados. Fiquei hospedada no Hotel Hoja de Parra e conhecemos propostas como o NOI Blend Colchagua, além de outros hotéis e hospedagens boutique que fazem parte do circuito turístico local.
Esse conjunto ajuda a compreender por que Colchagua não precisa ser pensado apenas como um passeio de ida e volta desde Santiago.
Colchagua merece mais de um dia?
A resposta depende do interesse de cada viajante, mas eu diria que a região oferece bons argumentos para uma estadia mais longa.

A aproximadamente duas horas e meia de carro de Santiago, o vale pode fazer parte de uma viagem de um dia. Entretanto, tentar conhecer muitas vinícolas, almoçar, aproveitar uma experiência rural e retornar à capital pode transformar uma programação interessante em uma corrida contra o relógio.
Para quem gosta de viajar com mais calma, passar uma ou duas noites na região permite combinar vinícolas de perfis diferentes, refeições especiais, hospedagem boutique e atividades no campo.
Também considero importante lembrar que uma boa curadoria não consiste em acumular lugares no roteiro. Consiste em entender quem está viajando e construir uma experiência coerente com seus interesses.
O visitante apaixonado por vinho natural, por exemplo, pode preferir pequenas propriedades e conversas com produtores. Já um casal em busca de um fim de semana especial talvez valorize um hotel entre vinhedos, um bom restaurante e duas visitas cuidadosamente escolhidas.
Colchagua tem condições de receber ambos, sem precisar oferecer exatamente a mesma viagem.
Uma iniciativa que conecta pessoas e abre caminhos para o turismo
O que mais me interessou no Fam Tour foi observar o esforço coletivo para apresentar a região.
A Cámara de Turismo de Colchagua não reuniu apenas um catálogo de atrativos. Mobilizou empresários, produtores e profissionais que abriram seus espaços para compartilhar histórias, apresentar projetos e estabelecer relações com o mercado brasileiro.
A atuação de Mauricio Retamal, Rodrigo Valenzuela e Sérgio Zavala, junto aos empreendedores participantes, mostrou a importância da articulação local para promover um destino.
Durante a viagem, também tivemos a oportunidade de trocar experiências com outros profissionais do setor, entre eles representantes da Escapada Tours Chile, que compartilham o interesse em ampliar a presença de Colchagua nos roteiros destinados aos brasileiros.
Para mim, como comunicadora e profissional do turismo no Chile, experiências assim têm um valor que ultrapassa o conhecimento de novos lugares. Permitem compreender melhor a relação entre território, hospitalidade, cultura e desenvolvimento turístico.
E essas relações fazem diferença quando chega o momento de recomendar uma experiência a alguém.
O começo de uma série sobre o Vale de Colchagua
Esta viagem rendeu muito mais do que uma reportagem.
Nas próximas matérias, vou apresentar com mais detalhes algumas das vinícolas visitadas, os projetos da Ruta Santa Ana, as experiências gastronômicas e as possibilidades de hospedagem para quem deseja descobrir Colchagua com outro olhar.
Também quero contar as histórias de quem recebe, produz e trabalha para que o território seja reconhecido por sua diversidade.
O vinho continuará presente, evidentemente. Mas o que trouxe desta viagem vai muito além da taça.
Agradecimento institucional
Minha participação no Fam Tour Brasil Valle de Colchagua 2026 aconteceu a convite da Cámara de Turismo de Colchagua, responsável pela organização da experiência.
Agradeço especialmente a Mauricio Retamal, Rodrigo Valenzuela e Sérgio Zavala pela recepção e pelo trabalho de aproximação com o mercado brasileiro, assim como aos empresários, produtores, equipes e profissionais que nos receberam ao longo dos três dias.
A viagem foi realizada com programação e hospedagem oferecidas pela organização, sem custo de participação para a Viajar Chile. As observações e avaliações apresentadas nesta matéria são editoriais e independentes.
O Chile vivido por dentro, para quem vem, passa ou fica.
Organização e reconhecimento
Cámara de turismo de Colchagua @colchaguacamaradeturismo
Sr Mauricio Retamal - presisente da câmara
Sr Sérgio Zavala - coordenação do projeto
Sr Rodrigo Valenzuela - tesoureiro da diretoria
Vinícolas e produtores
Viña Ravanal @vinaravanal.
La Sirca @lasircawines
Los Chanchitos @vinaloschanchitos
Alchemy Wines @alchemystawines.
Caminomar @vinocaminomar.
Punku Wines @punkuwines
Clos Santa Ana @clossantaana.
Rhenus Winery @rhenuswinery.
MontGras @montgraswines
Estampa @estampawine.
Maquis @maquiswines.
Viu Manent @viumanentwinery
Hotelaria e hospedagem
Hoja de Parra @hotelhojadeparracolchagua.
Vendimia Parador @hotel_vendimia.parador
Cava Colchagua @hotelcavacolchagua.
TerraViña @terravinachile
Raíces de Colchagua @hotelbouraicesdecolchagua.
NOI Blend @noiblend
Viña La Playa @hotelvinalaplaya.
Bellavista Solaz @solaz.bellavistadecolchagua
B&B Los Avellanos
@bb_losavellanosdecolchagua
Gastronomia, cultura e experiências
Natural Wine Tours @naturalwinetours.
Granja María Campesina @maria_campesina
Ristorante Vino Bello @vinobelloristorante.
Prapes Sushi Bar @prapes.sushi
Johnny's Food @jonnhystrattoria.
Queserías Marchigüe @herenciadecampo.cl
Casino Colchagua
@casinocolchagua
Leia também: O que reservar antes de viajar ao Chile e em que ordem organizar a viagem
