Foto: Thati Lira
Chegar em Santiago sem se perder: o guia das primeiras 48 horas
Do aeroporto ao primeiro café: transporte, chip, dinheiro e o que resolver antes de qualquer passeio.
As primeiras 48 horas em Santiago são importantes justamente para resolver questões, entender um pouco da cidade e começar a viagem com tranquilidade.
Você desembarca em Santiago, passa pela imigração, pega a mala e finalmente atravessa a porta de desembarque.
É normalmente nesse momento que a viagem deixa de ser uma reserva no celular e vira realidade.
E também quando aparecem cinco perguntas simultâneas: como vou para o hotel? Preciso trocar dinheiro? Como funciona o metrô? Onde compro internet? E o que faço hoje?
Depois de anos vivendo em Santiago, eu começaria com uma recomendação muito pouco instagramável:
não tente resolver o Chile inteiro nas primeiras três horas.
As primeiras 48 horas servem para você entender a cidade, acertar a logística e começar a viagem com alguma inteligência. A Cordilheira continuará ali amanhã.
Saindo do aeroporto: escolha antes de atravessar a porta

O Aeroporto de Santiago tem um centro de transporte terrestre oficial na área de chegadas internacionais, antes da saída para a área pública. Ali é possível contratar táxis oficiais, transfers e ônibus. O próprio aeroporto recomenda utilizar os serviços autorizados para evitar transporte informal.
Ônibus
É a alternativa mais econômica.
O Centropuerto opera diariamente, com saídas anunciadas a cada 15 minutos, e hoje atende diferentes pontos, incluindo Pajaritos, Terminal Sur e Metro República, dependendo do serviço. A tarifa publicada em setembro de 2026 é de CLP 2.400 por trecho. (aprox 15.00 reais)
É uma boa solução para quem viaja leve e se sente confortável completando o percurso de metrô ou outro transporte.
Com duas malas grandes, criança e casaco pendurado no braço, a economia começa a adquirir contornos filosóficos.
Transfer compartilhado
Para mim, é um bom meio-termo.
Você contrata nos balcões autorizados do aeroporto e divide o veículo com outros passageiros. Costuma levar mais tempo porque existem diferentes hotéis ou endereços na rota, mas você chega à hospedagem sem precisar fazer conexões.
Transfer privado
É a opção mais simples para quem quer sair do aeroporto e ir diretamente para o hotel.
Também faz sentido para famílias, grupos, quem chega muito cedo ou muito tarde ou simplesmente prefere já ter o transporte organizado antes do embarque.
Se você estiver contratando passeios ou transfer com agência, pode falar com a equipe da Viajar Chile para verificar as opções de traslado e programação da viagem. Clique AQUI pra falar com a equipe
Táxi
Se escolher táxi, minha recomendação é objetiva: use o serviço oficial contratado nos pontos autorizados do aeroporto.
Uber, Cabify e Didi
para carros de aplicativos, na primeira chegada, especialmente com malas, prefiro deixar o traslado resolvido antes de sair do aeroporto ou contratar uma opção nos pontos oficiais. Se você optar por aplicativo, confira na própria plataforma o local indicado para embarque e os dados do veículo antes de entrar.
Pra cidade o Uber é muito bom.
Internet: resolva isso cedo, mas não precisa ser no aeroporto
Hoje existem três caminhos bastante simples: roaming internacional, eSIM ou linha chilena pré-paga.
Se optar por um chip pré-pago local, existe uma mudança recente importante. Desde 20 de agosto de 2026, o Chile exige que as linhas móveis pré-pagas sejam vinculadas à identidade do usuário para ativação e recargas. O registro pode incluir documento de identidade chileno ou passaporte e ser realizado de forma digital ou presencial, dependendo da operadora.
Para uma viagem curta, vale comparar o roaming do seu plano com um eSIM antes mesmo de sair do Brasil. Para estadias maiores, uma linha local pode continuar fazendo sentido.
O importante é não chegar dependendo exclusivamente do Wi-Fi do café da esquina para descobrir onde fica seu hotel.
Como pagar metrô e transporte em Santiago em 2026
A tarjeta bip! pode ser comprada e carregada nas estações de metrô e serve para viagens em ônibus e metrô. Se você pretende combinar os dois transportes, organize o meio de pagamento de cada viajante antes de sair.
Mas desde fevereiro de 2026 existe também o Pago Ágil: cartões Visa e Mastercard de crédito, débito ou pré-pago, inclusive cartões estrangeiros, podem ser usados diretamente nos validadores do metrô.
Atenção ao detalhe importante:
esse pagamento com cartão bancário não vale atualmente para os ônibus da Red.
Se você pretende combinar metrô e ônibus, a Bip! continua sendo a solução mais simples para um turista.
Preciso trocar dinheiro assim que chego?

Não faria disso minha primeira missão.
Cartões são muito presentes no cotidiano de Santiago e você não precisa sair do aeroporto com uma carteira cheia de pesos para conseguir chegar à cidade.
Também não gosto de regras absolutas como “nunca troque no aeroporto”. Se você precisa de uma pequena quantidade imediatamente, troque o necessário. O que não faz sentido é converter todo o orçamento da viagem sem antes comparar a cotação.
Se quiser entender melhor as opções, já preparei dois guias específicos:
→ Dinheiro no Chile: cartão, peso chileno, Pix e câmbio. O que vale a pena?
→ Quanto dinheiro levar para o Chile? Um guia realista de gastos em Santiago
Primeiras 48 horas em Santiago: reconheça seu território
Depois de chegar à hospedagem, eu não começaria a viagem correndo para cumprir uma lista de atrações.
Primeiro descobriria:
onde está a estação de metrô mais próxima, onde há mercado ou farmácia, quais restaurantes existem ao redor e como é o bairro em que escolhi ficar.
Esse pequeno reconhecimento muda completamente a sensação de chegar a uma cidade nova.
Se ainda estiver escolhendo hospedagem, vale também ler:
→ Onde ficar em Santiago: qual região combina com a sua viagem?
Providencia, Las Condes, Vitacura e Lastarria proporcionam rotinas muito diferentes, e isso aparece justamente nas primeiras horas.
O que eu faria no primeiro dia
Pouco.
Especialmente depois de um voo cedo ou de uma noite mal dormida.
Tomaria um café, caminharia pelo entorno da hospedagem, resolveria dinheiro e internet se ainda fosse necessário, entraria num mercado e escolheria algum lugar bom para jantar.
Também vale lembrar que a cidade tem clima seco, e quem chega do Brasil pode sentir a diferença. Água, protetor labial e hidratação costumam ser companheiros bastante úteis.
E eu evitaria colocar um passeio longo para a Cordilheira no mesmo dia da chegada. A viagem começa melhor quando existe margem para atraso de voo, cansaço e imprevistos.
E no segundo dia?

Aí sim eu começaria Santiago de verdade.
Se é sua primeira vez, faria um roteiro que ajude a entender a cidade antes de apenas colecionar atrações.
Se eu quisesse começar pela parte histórica, faria o Centro e La Moneda pela manhã. Depois seguiria para o Cerro Santa Lucía e deixaria a tarde para caminhar por Lastarria, Parque Forestal e Bellas Artes, com tempo para entrar em algum lugar que despertasse curiosidade. Não é uma lista para cumprir inteira: é um percurso que permite entender uma parte da cidade sem atravessar Santiago de um lado ao outro.
Ou fazer algo completamente diferente.
O importante é não transformar as primeiras 48 horas numa correria cansativa..
Existe uma diferença enorme entre ver cinco lugares e começar a entender onde você chegou.
Meu checklist das primeiras 48 horas
Antes de começar os grandes passeios, eu tentaria ter resolvido cinco coisas:
transporte do aeroporto, internet, forma de pagamento, transporte público e localização da hospedagem.
Depois disso, Santiago fica muito mais simples.
E talvez essa seja a melhor orientação que eu possa dar para uma primeira chegada:
não tenha pressa de fazer o Chile caber em dois dias.
Use essas primeiras horas para deixar a cidade começar a fazer sentido.
O resto da viagem agradece.
Leia também: Quanto dinheiro levar para o Chile? Um guia realista de gastos em Santiago
Leia também: Santiago é uma cidade caminhável? O que realmente dá para conhecer a pé
