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Chegar em Santiago sem se perder: o guia das primeiras 48 horas Foto: Divulgação/internet
Guia essencial

Chegar em Santiago sem se perder: o guia das primeiras 48 horas

Do aeroporto ao primeiro café: transporte, chip, dinheiro e o que resolver antes de qualquer passeio.

Thati Lira 5 de set de 2026 6 min de leitura 1,3k leituras

Você desembarca em Santiago, passa pela imigração, pega a mala e finalmente atravessa a porta de desembarque.

É normalmente nesse momento que a viagem deixa de ser uma reserva no celular e vira realidade.

E também quando aparecem cinco perguntas simultâneas: como vou para o hotel? Preciso trocar dinheiro? Como funciona o metrô? Onde compro internet? E o que faço hoje?

Depois de anos vivendo em Santiago, eu começaria com uma recomendação muito pouco instagramável:

não tente resolver o Chile inteiro nas primeiras três horas.

As primeiras 48 horas servem para você entender a cidade, acertar a logística e começar a viagem com alguma inteligência. A Cordilheira continuará ali amanhã.

Saindo do aeroporto: escolha antes de atravessar a porta

O Aeroporto de Santiago tem um centro de transporte terrestre oficial na área de chegadas internacionais, antes da saída para a área pública. Ali é possível contratar táxis oficiais, transfers e ônibus. O próprio aeroporto recomenda utilizar os serviços autorizados para evitar transporte informal.

Ônibus

É a alternativa mais econômica.

O Centropuerto opera diariamente, com saídas anunciadas a cada 15 minutos, e hoje atende diferentes pontos, incluindo Pajaritos, Terminal Sur e Metro República, dependendo do serviço. A tarifa publicada em setembro de 2026 é de CLP 2.400 por trecho. (aprox 15.00 reais)

É uma boa solução para quem viaja leve e se sente confortável completando o percurso de metrô ou outro transporte.

Com duas malas grandes, criança e casaco pendurado no braço, a economia começa a adquirir contornos filosóficos.

Transfer compartilhado

Para mim, é um bom meio-termo.

Você contrata nos balcões autorizados do aeroporto e divide o veículo com outros passageiros. Costuma levar mais tempo porque existem diferentes hotéis ou endereços na rota, mas você chega à hospedagem sem precisar fazer conexões.

Transfer privado

É a opção mais simples para quem quer sair do aeroporto e ir diretamente para o hotel.

Também faz sentido para famílias, grupos, quem chega muito cedo ou muito tarde ou simplesmente prefere já ter o transporte organizado antes do embarque.

Se você estiver contratando passeios ou transfer com agência, pode falar com a equipe da Viajar Chile para verificar as opções de traslado e programação da viagem. Clique AQUI pra falar com a equipe

Táxi

Se escolher táxi, minha recomendação é objetiva: use o serviço oficial contratado nos pontos autorizados do aeroporto.

Uber

Não usaria o Uber no aeroporto (ainda não é legalizado, mas o adotaria na cidade.

Internet: resolva isso cedo, mas não precisa ser no aeroporto

Hoje existem três caminhos bastante simples: roaming internacional, eSIM ou linha chilena pré-paga.

Se optar por um chip pré-pago local, existe uma mudança recente importante. Desde 20 de agosto de 2026, o Chile exige que as linhas móveis pré-pagas sejam vinculadas à identidade do usuário para ativação e recargas. O registro pode incluir documento de identidade chileno ou passaporte e ser realizado de forma digital ou presencial, dependendo da operadora.

Para uma viagem curta, vale comparar o roaming do seu plano com um eSIM antes mesmo de sair do Brasil. Para estadias maiores, uma linha local pode continuar fazendo sentido.

O importante é não chegar dependendo exclusivamente do Wi-Fi do café da esquina para descobrir onde fica seu hotel.

Como pagar metrô e transporte em Santiago em 2026

A Tarjeta bip! continua sendo o meio tradicional de pagamento da Red Movilidad e pode ser comprada e carregada em estações de metrô e outros pontos autorizados. Ela funciona na integração entre ônibus, metrô. Você consegue usar um único cartão bip, pra um grupo.

Mas desde fevereiro de 2026 existe também o Pago Ágil: cartões Visa e Mastercard de crédito, débito ou pré-pago, inclusive cartões estrangeiros, podem ser usados diretamente nos validadores do metrô. 

Atenção ao detalhe importante:

esse pagamento com cartão bancário não vale atualmente para os ônibus da Red.

Se você pretende combinar metrô e ônibus, a Bip! continua sendo a solução mais simples para um turista.

Preciso trocar dinheiro assim que chego?

Não faria disso minha primeira missão.

Cartões são muito presentes no cotidiano de Santiago e você não precisa sair do aeroporto com uma carteira cheia de pesos para conseguir chegar à cidade.

Também não gosto de regras absolutas como “nunca troque no aeroporto”. Se você precisa de uma pequena quantidade imediatamente, troque o necessário. O que não faz sentido é converter todo o orçamento da viagem sem antes comparar a cotação.

Se quiser entender melhor as opções, já preparei dois guias específicos:

→ Dinheiro no Chile: cartão, peso chileno, Pix e câmbio. O que vale a pena?

→ Quanto dinheiro levar para o Chile? Um guia realista de gastos em Santiago

Primeiras horas: reconheça seu território

Depois de chegar à hospedagem, eu não começaria a viagem correndo para cumprir uma lista de atrações.

Primeiro descobriria:

onde está a estação de metrô mais próxima, onde há mercado ou farmácia, quais restaurantes existem ao redor e como é o bairro em que escolhi ficar.

Esse pequeno reconhecimento muda completamente a sensação de chegar a uma cidade nova.

Se ainda estiver escolhendo hospedagem, vale também ler:

→ Onde ficar em Santiago: qual região combina com a sua viagem?

Providencia, Las Condes, Vitacura e Lastarria proporcionam rotinas muito diferentes, e isso aparece justamente nas primeiras horas.

O que eu faria no primeiro dia

Pouco.

Especialmente depois de um voo cedo ou de uma noite mal dormida.

Tomaria um café, caminharia pelo entorno da hospedagem, resolveria dinheiro e internet se ainda fosse necessário, entraria num mercado e escolheria algum lugar bom para jantar.

Também vale lembrar que a cidade tem clima seco, e quem chega do Brasil pode sentir a diferença. Água, protetor labial e hidratação costumam ser companheiros bastante úteis.

E eu evitaria colocar um passeio longo para a Cordilheira no mesmo dia da chegada. A viagem começa melhor quando existe margem para atraso de voo, cansaço e imprevistos.

E no segundo dia?

Aí sim eu começaria Santiago de verdade.

Se é sua primeira vez, faria um roteiro que ajude a entender a cidade antes de apenas colecionar atrações.

Centro histórico e La Moneda pela manhã podem mostrar a Santiago institucional e histórica. Depois, você pode seguir por Santa Lucía, Lastarria, Bellas Artes ou Parque Forestal e terminar o dia em outra região da cidade.

Ou fazer algo completamente diferente.

O importante é não transformar as primeiras 48 horas numa correria cansativa..

Existe uma diferença enorme entre ver cinco lugares e começar a entender onde você chegou.

Meu checklist das primeiras 48 horas

Antes de começar os grandes passeios, eu tentaria ter resolvido cinco coisas:

transporte do aeroporto, internet, forma de pagamento, transporte público e localização da hospedagem.

Depois disso, Santiago fica muito mais simples.

E talvez essa seja a melhor orientação que eu possa dar para uma primeira chegada:

não tenha pressa de fazer o Chile caber em dois dias.

Use essas primeiras horas para deixar a cidade começar a fazer sentido.

O resto da viagem agradece.

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